quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cadê a CNBB para ler isto?

Frutos do Ecumenismo Tupiniquim

Peço que leiam o artigo abaixo, do Monitor Mercantil. Em meio aos questionamentos que fazemos sobre o rumo do ecumenismo ou mesmo sobre a sua finalidade, vejo as duras palavras do Reverendo Anglicano Carlos Eduardo Calvani como sinal inquestionável da inutilidade do diálogo.

Obrigado, Bento XVI

Conforme um dito popular, "Deus escreve certo por linhas tortas". Nunca parei para refletir mais profundamente sobre esse ditado. Mas sempre o escuto e, provavelmente, também já devo tê-lo repetido uma ou outra vez na vida.
Devo confessar que, nos últimos dias, esse ditado reapareceu em minha memória, por conta de todas as discussões sobre a mais recente artimanha do Vaticano, de criar uma provisão especial para receber na Igreja Romana anglicanos dissidentes e insatisfeitos. Graças a Deus nunca fui católico-romano e não tenho qualquer compromisso de ser bem educado para com Ratzinger - sempre o considerei (mesmo antes de ser Papa), um teólogo "torto", mais preocupado com a restauração do passado do que propriamente com a construção do futuro. Mas Deus, em sua insondável sabedoria, pode até mesmo usar caminhos tortos. Lá no Antigo Testamento, até uma mula (ou jumento) poderia ser porta-voz dos desígnios divinos...
Sei que, ao escrever isto, correrei o risco de ouvir de alguns colegas: "você precisa ser mais polido... você ofendeu o papa...". A estes eu respondo: "onde está nossa auto-estima? vamos continuar oferecendo a outra face e quantas partes mais do corpo quiserem para nos agredir? Que masoquismo eclesiástico é este?" Bem mais ofendidos ficaram muitos anglicanos, inicialmente. Alguns anglicanos como eu, também já ficaram bastante constrangidos em reuniões ecumênicas (participei durante um tempo da Comissão Teológica do Conic) e poderia citar, se o espaço fosse maior, exemplos do constrangimento pelo qual passamos diante do peso e da pressão da Igreja Católica Romana para que aprovemos aquilo que interessa a eles.
Agora, em 2010 teremos Campanha da Fraternidade "Ecumênica". Confesso que, particularmente, não tenho qualquer interesse em colaborar ou participar de uma campanha em que as demais igrejas (pequenas, coitadinhas), são usadas para render frutos à Igreja Católica Romana. Gostaria de saber mesmo, quando é que a organização da "Campanha da Fraternidade Ecumênica" apoiará e defenderá uma proposta feita por mim mesmo, de que um dos temas mais urgentes a tratar, nacionalmente, é a questão da pedofilia. Quando eu disse isso, em reunião da Comissão Teológica do CONIC, fui ignorado. A única reação que percebi foram alguns sorrisos desconfortáveis, como se eu estivesse querendo ironizar ou cutucar onça com vara curta... Minha proposta sequer foi discutida. Depois alguns padres amigos me disseram: "A Igreja Romana nunca irá abordar esse tema..."
Li o texto oficial do Vaticano, ouvi e li também algumas opiniões e cheguei até mesmo a provocar o querido colega Rev. Luiz Alberto Barbosa, secretário-executivo do Conic, para saber se esse organismo iria emitir algum pronunciamento condenando a medida. Hoje, porém, dou meu braço a torcer e minha mão à palmatória, porque estou chegando à conclusão que a jogada política do Vaticano, apesar de ser um golpe baixo (digno de seus redatores) e que põe ainda mais cimento no caixão do falecido ecumenismo institucional, pode ser encarado como uma provisão abençoada para a Comunhão Anglicana.
Um querido bispo da IEAB enviou-me um email dias atrás, lembrando que vivemos o primado da perversão em todos os segmentos, e que mesmo as igrejas não escapam disso. As atuações perversas, diz ele, estão sempre escondidas por traz do biombo de belas palavras, versículos bíblicos e citações de teólogos antigos. E a utilização desses recursos pelos perversos, lhes proporciona um gozo imenso.
Lembrei-me também de um pequeno poema, do extraordinário poeta português Guerra Junqueiro (1850-1923). Embora dirigido, especificamente aos jesuítas, pode aplicar-se também a outros que, mesmo não sendo jesuítas, se identifiquem com o atual papado:
Ó Jesuítas, vós sois dum faro tão astuto
Tendes tal corrupção e tal velhacaria
Que é incrível até que o filho de Maria
Não seja inda velhaco e não seja corrupto
Andando a tanto tempo em tão má companhia
Pelo que entendi da "Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus" (este é o pomposo nome oficial), a Igreja Romana está abrindo as portas para receber diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos "como candidatos às sagradas ordens na Igreja Católica". Ou seja, os anglicanos que debandarem para lá, não terão suas ordens reconhecidas e deverão ser "reordenados". Os que forem casados devem observar algumas normas da época de Paulo VI, enquanto os não-casados devem ater-se ao celibato. Mais à frente, o documento diz: "o ordinário... admitirá somente homens celibatários à ordem do presbiterado".
A situação mais cômoda é para os padres que foram ordenados na Igreja Católica Romana e que foram recebidos (sem reordenação) na Igreja Anglicana. Esses, se forem celibatários, podem voltar e serão recebidos como "filhos pródigos". Se forem casados, porém, a situação será um pouco mais complicada, mas ainda assim terão seu espaço garantido junto ao trono de São Pedro para comer das migalhas que caem da mesa papal.
Mas, no frigir dos ovos, a provisão do Vaticano se transformará em uma bênção para a Comunhão Anglicana. A ela atenderão os clérigos e bispos com vocação inquisitorial, que sentem cheiro de heresia em qualquer palavra ou em qualquer texto; a ela atenderão os clérigos e bispos machistas, que não suportam ver uma mulher de batina; a ela atenderão os romanistas disfarçados, que sempre reclamam o fato de as igrejas da Comunhão Anglicana não terem uma autoridade central, mas uma autoridade dispersa; a ela atenderão os recalcados que desconfiam de qualquer ação pastoral que contrarie os cânones da ética sexual romana.
Estes, que atenderão à oferta do Vaticano, realmente não se sentem confortáveis nas igrejas da Comunhão Anglicana. Parodiando a 1ª epístola de João, eu diria - "estes saíram do meio de nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco".
Por isso, tudo, devemos agradecer a Bento XVI e a seus assessores, pelo bem que proporcionaram à Comunhão Anglicana.
Que Deus lhes retribua em porções dobradas todo o bem que nos fizeram.


Rev. Carlos Eduardo Calvani
Padre da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro
Publicado anteriormente no site da Adital (http://www.adital.com.br/)
*****

As palavras do ilustre reverendo, cheias de despeito, mostram justamente o que está ficando na não menos pomposa “comunhão anglicana”. Há, é claro, exceções. Há bons reverendos dentro do anglicanismo e admitir isso não é “heresia”. Newman era um bom pastor anglicano e tornou-se católico, C.S. Lewis, contudo, perseverou no anglicanismo, mas seus escritos continuam inspiradores.
O que devemos focar aqui é justamente no fruto menor do diálogo ecumênico – a compreensão mutua. Se a unidade, fruto maior, já não é cogitada nos meios ecumênicos, vemos que a compreensão não é muito exercitada.
Que frutos, de fato, trazem as Campanhas Ecumênicas? Cabe aos responsáveis pelo CONIC responderem. A Igreja Metodista já os deixou, alegando que não participa de nenhuma agremiação de igrejas onde a Igreja Católica também fizer parte. Agora vemos e lemos o ranço anglicano. Que sobrará? Ora, simples, a única e verdadeira Igreja de Cristo perceber-se-á uma vez mais como uma solitária peregrina.

Bispos Brasileiros em Roma

Ad Orientem? Por que não mostrar a cultura brasileira?


Um grande “avanço” dado pela Igreja brasileira foi no campo litúrgico. Avançou tanto que se distanciou da Igreja. Avançou tanto que ultrapassou até mesmo o sentido do culto – louvar a Deus. Avançou tanto que já não consegue perceber-se unida aquilo que veio antes. Avançou tanto que não tem uma idéia sobre o que virá depois.

Em visita ao ponto central da Igreja – Roma – os bispos brasileiros de São Paulo tiveram a oportunidade de comungar do Corpo e Sangue de NS Jesus Cristo e da vitalidade católica que a Urbe congrega literalmente em cada esquina.

Entre uma reunião e outra, os bispos participaram da missa com os celebrantes principais voltados para o Crucifixo (de costas para o povo), justamente pela ausência de um altar moderno (contornável).

Não é segredo para ninguém que os bispos de São Paulo são os primeiros a liderar a vanguarda envelhecida e empobrecida dos liturgistas do “espírito do Concílio”. São esses mesmos bispos, na sua maioria, mas não na totalidade, que minimizam as diretrizes pontifícias sobre liturgia e culto, inclusive o Motu Proprio Summorum Pontificum. São esses bispos, especialmente dois do interior paulista, que valorizam absurdamente a cultura local inserida na liturgia, uma inculturação negativa feita de fora para dentro (secularização do culto), quando na realidade a inculturação da liturgia deve ser feita de dentro para fora, das Igrejas para o mundo.

Uma pergunta me ocorreu quando vi e li as pequenas notas sobre o assunto publicadas nos blogs. Por que os bispos não mostram ao sucessor de Pedro, efetivamente, o que fazem nas suas dioceses? Quero dizer, por que não celebram na Sé de São Pedro as liturgias “vivas, que brotam do chão da vida”? Na minha modesta opinião, quando me deparo com clérigos brasileiros que se dirigem a Roma e celebram de maneira reverente (na medida do possível), mas que no Brasil são baluartes da heterodoxia litúrgica, bom, só posso pensar que estão enganando o pontífice e enganam a si mesmos com uma “postura” que não possuem.

Todo bispo em visita Ad Limina precisa passar pelas Basílicas Papais. Por que os bispos paulistas não celebram, em Santa Maria Maior, uma missa afro? Em São Paulo fora dos Muros poderiam celebrar uma missa indígena. Em São João de Latrão, uma missa de cura e libertação. E em São Pedro, sob o olhar atento (e certamente revoltado) do Soberano Pontífice, poderiam celebrar uma missa fundamentada na teologia da libertação, com ênfase na homilia marxista.

Não! Os bispos preferiram celebrar sobriamente, bem diferente das pobres liturgias dos encontros anuais da CNBB. Bem diferente daquilo que acontece nas suas dioceses.

Se um bispo acredita que uma missa folclórica (gaúcha, afro, indígena, etc) é algo positivo e que sua essência é compatível com a sacralidade do rito da Igreja, então por que não mostrar isso aos europeus ou ao Papa em pessoa? Por que enterrar esse dom, privilegiando apenas os brasileiros? Que conclusão podemos tirar dessa “dupla personalidade” litúrgica dos pastores da Igreja?

Essa não é a primeira vez. Quem não se lembra da aprovação dos estatutos da Canção Nova? A missa foi muito mais “light” em Roma que em Cachoeira Paulista.
Uma pena não sabermos o que vai nesses relatórios que os bispos entregam. Há muito segredo no mundo episcopal. Será que nas suas páginas os prelados ousam colocar fotos e imagens das missas que celebram? Mistério...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Arcebispo Carlson Chefe do Clero Americano


Sucessor de Dom Burke Conquista Espaço

O arcebispo de St. Louis, dom Robert Carlson, conquistou a vaga, por eleição dos seus irmãos no episcopado para ocupar a presidência do Comitê para 0 Clero, Vida Consagrada e Vocações da Conferência Episcopal Americana.

Avançam pela Conferência Americana os bispos em plena comunhão com o Papa (nós sabemos que alguns bispos, lá e cá, conservam apenas uma comunhão burocrática com o sucessor de Pedro...). Dom Carlson, afinadíssimo com seu antecessor, Dom Burke, comandará um dos setores mais espinhosos no universo americano - o trato com os padres. Também o setor de vocações não está lá grande coisa, como em todo lugar.

Que Deus conserve Dom Carlson por muitos anos, como potentíssimo guardião da santidade e sanidade do clero norte-americano.


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Santa Missa 

Rito Romano Extraordinário

dia 26/11/2009, às 19:30: Igreja Matriz
de Nossa Senhora das Dores. End.: Praça Benedito Calixto, s/ n.

BROTAS - São Paulo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ativa e Frutuosa

Boas imagens da participação dos jovens

Acho interessante notar como alguns bispos, mesmo não "morrendo de amores" pela missa antiga, conseguem conviver saudavelmente com ela. Na França, onde há grande oposição ao rito tridentino, há também sinais de esperança que brilham justamente dos bispos.

Outra coisa interessante de ver, ainda que bem longe daqui, é a criativa participação dos jovens nas celebrações. Criativa porque eles literalmente mergulham fundo na busca dos melhores elementos possíveis para "incrementar" a cerimônia.

Esse "incrementar" passa longe da noção moderna, que anima os ritos inventados e mortifica a catolicidade da Igreja.

É um "incrementar" positivo, um incremento legítimo que se origina de uma profunda devoção e de uma vontade de dar a Deus o melhor possível. Para Deus nada é bom o bastante, por que se contentar com pouco? A mentalidade moderna precisa aprender essa lição.

Me anima ver os jovens no rito antigo e se beneficiando com ele e através dele. Essa participação, acredito, é a mais genuína expressão do enigmático conceito de participação ativa pedido pelo Papa S. Pio X. A participação ativa e frutuosa, para ser realmente ativa e frutuosa, começa não na missa, mas na boa formação do leigo e, atualmente, do sacerdote. Movimentar-se, sacudir-se, cantar e gritar (em alguns casos), tudo isso é uma bizarra tentativa de atingir essa tal participação ativa, mas através dos meios puramente horizontais, naturais.

Há uma nova corrente na liturgia que acredita, sinceramente, que a participação resume-se principalmente a uma série de movimentos corporais e funções assumidas. Assim, a congregação que responde, dialoga, interage e age acaba participando da liturgia. Na verdade, é muito mais fácil ela se distanciar da liturgia, da genuína fé da Igreja bimilenar.

Participar ativamente é conhecer, é primeira e essencialmente um ato da razão. O simulacro da participação ativa é um ato meramente físico, mecânico.

As imagens do vídeo acima também mostram que o rito antigo se comunica muito bem com a juventude. Mais uma vez insisto nisso. É um grande preconceito acreditar que o rito antigo distanciaria os jovens da Igreja. Há sim pessoas, de todas as idades, que se sentiriam desconfortáveis com o rito tridentino, mas essas são pessoas que não tiveram uma boa formação, são adeptas da nova corrente litúrgica ou estão fechadas a qualquer experiência nova.

Rezemos para que exemplos como esse do cardeal Barbarin continuem se repetindo, provando que a missa antiga deve ser sempre vista como algo positivo. 

UPDATE: O usuário do "GloriaTV" removeu o vídeo. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Alguns Anglicanos não entenderam o Papa

Respostas Oficiais são Desnecessárias


O Papa publicou nesta semana, através do seu muito engenhoso aparelho curial, a Anglicanorum Coetibus, uma constituição apostólica que regula a vinda de grupos inteiros oriundos do anglicanismo ao seio da Igreja Católica.
A província inglesa da Traditional Anglican Communion, uma dissidência do anglicanismo oficial, já aceitou os termos presentes no supracitado documento e pretende sua entrada na Igreja.
Mas o que me espanta são as declarações oficiais de membros da hierarquia anglicana. Para que elas servem? A resposta é simples – para mostrar que eles não entenderam o destinatário da Anglicanorum Coetibus.
Se tivessem entendido saberiam que a mesma não se refere aos anglicanos convictos, mas aos anglicanos que desejam ser católicos.
Embora chame a oferta do Santo Padre de “preciosa” e lamente o estado deplorável da comunhão anglicana, o arcebispo anglicano da Nigéria afirma, na mesma página, que “não é hora de deixarmos a comunhão anglicana”.
Declarações mais fortes e críticas mais ácidas vieram do Rev. Mark Haverland, arcebispo da Anglican Catholic Church, onde o mesmo deixa claro a falta de respeito ecumênico e histórico da Igreja Romana com os anglicanos, pois a Anglicanorum Coetibus é, na prática, a reafirmação essencial das práticas católicas sobre o anglicanismo – ordenações nulas, maior parte dos sacramentos inválidos.
A grande questão é que a oferta generosa do Santo Padre não se dirige aos anglicanos que estão “felizes” com a Comunhão Anglicana ou com sua comunhão paralela, mas aos fiéis que desejam ser incorporados ao Corpo de Cristo. Mas os reverendos, reconhecendo de um lado que a Comunhão Anglicana desmorona, não deixam de criticar a Igreja Católica por facilitar a recepção destes membros.
Acontece que, como constatou até mesmo o Rev. Mark Haverland, “a Constituição é efetivamente endereçada aqueles que já são essencialmente Católicos Romanos. Nós não o somos”. Isso é óbvio. A TAC tomou a decisão de pedir “união plena e corporativa” com o Sucessor de Pedro quando percebeu que era impossível continuar sendo anglicano, mesmo um anglicano tradicional. É o caminho de Newmann.
O Rev. Mark Haverland trata os beneficiados pela Constituição Apostólica como “católicos convertidos” e não “anglo-católicos”. Acho justo.
Por isso respostas oficiais, de grupos que ainda persistem no anglicanismo, são desnecessárias. Eles não precisam considerar nada, uma vez que a Constituição não os afeta. Mas todo microfone precisa de uma boca, não é mesmo?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fé em Branco


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