domingo, 20 de julho de 2008

O Retorno de Marini



Missa de Encerramento da JMJ 2008 Marcada pelo Estilo (Piero) Marini.

Quem assistiu às missas do Papa tanto nos EUA quanto na Austrália deve ter ficado assustado com a cerimônia de encerramento presidida pelo Papa Bento XVI.Quando Bento XVI trocou o arcebispo Marini pelo Monsenhor Marini, todos nós respiramos com grande alívio pelo fim das missas bizarras. Pois bem, elas não acabaram.Parece que Marini 2 está querendo competir em criatividade com o Marini 1. A entrada do Santo Evangelho foi mais do que bizarra. Aborígenes fazendo uma dança ritual pagã, entoando seus cantos primitivos e praticamente nus. Uma falta de respeito.
Pode ser que tal fato venha não do monsenhor Marini, mas da própria organização do evento. Eu duvido, porque o atual mestre de cerimônias do Papa é tão rigoroso e controlador sobre as coisas da liturgia que nada passaria sem o seu "ok". Tanto é que as roupas projetadas para o Papa foram recusadas por Mons. Marini e a empresa precisou produzir novas peças.
A missa de dedicação do novo altar foi muito bonita. Tudo bem que teve aquelas músicas orquestradas intermináveis, mas foi bonita. Eles deveriam ter adotado essa linha na missa de encerrament, mas não... A criatividade falou mais alto. Tinha até a condenável "dança liturgica".
Só faltou uma pajelança no altar.A missa de encerramento... Pareceu um revival da missa de João Paulo II no México só que muito pior. O ex-mestre de cerimônias, Piero Marini, deve ter gostado muito dessa missa australiana.

2 comentários:

Captare disse...

Bola fora! Espero que o responsável por este "deslize" receba o que merece...

henrique disse...

Oi Danilo, não achei nada de mais na procissão do Evangelho na missa de encerramento da JMJ em Sydney; a inculturação é uma realidade que deve ser encarada pela Igreja, e é absolutamente compreensível que as diferentes culturas tentem adaptar seus valores aos valores do Evangelho, pois foi isso o que ocorreu: adaptaram sua dança para que pudesse ser inserida na procissão do Evangelho; e não a missa foi desvirtuada para se adaptar ao "paganismo", como pode parecer lendo o post. É só vc pensar nas diversas tradições que existem na Igreja do Ocidente: o rito latino (dentro deles o romano e o ambrosiano), o rito armênio, o rito maronita, são todos ritos que têm traços culturais dos respectivos povos incorporados na liturgia, e ninguém reclama disso, provavelmente porque é algo que tem muitos séculos, e já está na tradição da Igreja; as missas inculturadas são algo similar, só que são coisa muito recente na vida eclesial, por isso causam certa resistência em alguns meios. Não estou querendo dizer com isso que não há abusos em alguns processos de inculturação, pelo contrário: há aberrações evidentes, que precisam ser combatidas, e necessitam de vigilância constante, mas na missa de Sydney, não ocorreu nada disso.
Tenho certeza que Guido Marini aprovou essa missa por que entende que a inculturação é necessária, e como fino liturgista que é, sabe o que pode ou não ser feito numa ação litúrgica (não vamos esquecer que ele é um dos frutos que o Cardeal Giuseppe Siri deixou na igreja de Gênova); além do mais, certamente avisou o papa Bento XVI sobre o tipo de missa que seria realizada no encerramento da JMJ, de modo que o Santo Pdre não foi pego com as "calças curtas", e é sempre bom lembrar o quão entendido em liturgia é o atual papa, não é mesmo?
Particularmente, cada um se identifica mais com um tipo de celebração (eu por exemplo, não gosto de missa inculturadas, e não gosto do rito ambrosiano), mas isso não quer dizer que só por isso essa ou aquela forma de celebrar são erradas ou desrespeitosas.
Por fim, não podemos ter uma visão estreita das coisas, pois isso é empobrecer a riqueza da liturgia (falo aqui no sentido mais amplo que a palavra liturgia significa), nem podemos deixar que as coisas caminhem para baderna. Esse é o espírito a ser buscado, e o papa tem conseguido fazê-lo com grande inspiração.
Abraços,
Henrique

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