Respostas Oficiais são Desnecessárias
O Papa publicou nesta semana, através do seu muito engenhoso aparelho curial, a Anglicanorum Coetibus, uma constituição apostólica que regula a vinda de grupos inteiros oriundos do anglicanismo ao seio da Igreja Católica.
A província inglesa da Traditional Anglican Communion, uma dissidência do anglicanismo oficial, já aceitou os termos presentes no supracitado documento e pretende sua entrada na Igreja.
Mas o que me espanta são as declarações oficiais de membros da hierarquia anglicana. Para que elas servem? A resposta é simples – para mostrar que eles não entenderam o destinatário da Anglicanorum Coetibus.
Se tivessem entendido saberiam que a mesma não se refere aos anglicanos convictos, mas aos anglicanos que desejam ser católicos.
Embora chame a oferta do Santo Padre de “preciosa” e lamente o estado deplorável da comunhão anglicana, o arcebispo anglicano da Nigéria afirma, na mesma página, que “não é hora de deixarmos a comunhão anglicana”.
Declarações mais fortes e críticas mais ácidas vieram do Rev. Mark Haverland, arcebispo da Anglican Catholic Church, onde o mesmo deixa claro a falta de respeito ecumênico e histórico da Igreja Romana com os anglicanos, pois a Anglicanorum Coetibus é, na prática, a reafirmação essencial das práticas católicas sobre o anglicanismo – ordenações nulas, maior parte dos sacramentos inválidos.
A grande questão é que a oferta generosa do Santo Padre não se dirige aos anglicanos que estão “felizes” com a Comunhão Anglicana ou com sua comunhão paralela, mas aos fiéis que desejam ser incorporados ao Corpo de Cristo. Mas os reverendos, reconhecendo de um lado que a Comunhão Anglicana desmorona, não deixam de criticar a Igreja Católica por facilitar a recepção destes membros.
Acontece que, como constatou até mesmo o Rev. Mark Haverland, “a Constituição é efetivamente endereçada aqueles que já são essencialmente Católicos Romanos. Nós não o somos”. Isso é óbvio. A TAC tomou a decisão de pedir “união plena e corporativa” com o Sucessor de Pedro quando percebeu que era impossível continuar sendo anglicano, mesmo um anglicano tradicional. É o caminho de Newmann.
O Rev. Mark Haverland trata os beneficiados pela Constituição Apostólica como “católicos convertidos” e não “anglo-católicos”. Acho justo.
Por isso respostas oficiais, de grupos que ainda persistem no anglicanismo, são desnecessárias. Eles não precisam considerar nada, uma vez que a Constituição não os afeta. Mas todo microfone precisa de uma boca, não é mesmo?



4 comentários:
Pior mesmo foi o ataque de um teólogo alemão Católico ao papa. Não se se do conhecimento de alguens no blog leu mas ele foi duro em relação a Bento XVI e encerrou a critica assim."Tradicionalistas de todas correntes uni-vos" ironicamente..
Perfeita análie. Parabéns! Morse
Percebi que da parte dos fiéis, a volta à nossa Igreja foi um processo que estava sendo desenvolvida até chegar à uma atitude completa, atitude que se formalizou no dia 20 de outubro.
O problema é que os bispos anglicanos ao voltarem para o catolicismo Romano serão reduzidos a padres (somente), onde terão que ter as suas ordenações validadas, depois disso terão que submeter-se à Congregação para os Bispos para serem 'novamente bispos', isto é, se forem eleitos Bispos de fato...
Assim, as coisas ainda estão nos seus inícios e acho esta 'confusão inicial' normal pois não é fácil mudar bruscamente a História.
Eu cá com meus botões penso que a Igreja deve retardar ao máximo a Sagração Episcopal dos anglicanos, pois se houver outro cisma, estes sairão da Igreja no mesmo patamar que os cismáticos orientais. Já pensaram? Seriam verdadeiramente bispos...
Penso que, em virtude disso, deveria-se aguardar algumas décadas para se pensar em sagrar bispos para rejer os católicos de uso anglicano.
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